Atualmente no Brasil podemos observar duas linhas principais de tendências de debate sobre a legalização da maconha, ambas apontando para a regulamentação. Seja do comércio de produtos que levam seus componentes fitoterápicos em sua formulação ou para o auto cultivo, há uma corrente de apoiadores do uso apenas medicinal, ficando o uso condicionado à obtenção de prescrição médica. Como também há quem apoie a ideia de uma legalização total para uso medicinal e recreativo que regulamente limites de produção por pessoa.

Na prática a questão social a ser observada é que estamos diante de uma mudança de paradigma, da derrubada de um tabu criado com a ampla e massiva campanha de demonização da Cannabis que por mais de 100 anos pré-concebeu essa ideia influenciando a opinião pública a se posicionar contra o uso e pesquisas científicas relacionadas aos extratos, substratos ou partes da Cannabis sativa. Além de associar a planta e seu uso a uma atribuição racista característica da sociedade brasileira no século 20.

No gráfico ao lado pode-se notar a influência das campanhas de “guerra às drogas” lançadas durante os governos Nixon e Reagan, os quais investiram massivamente em campanhas publicitárias e midiáticas utilizando os veículos de imprensa para disseminar suas campanhas de demonização da maconha. Os dados são dos institutos de pesquisa: 2019- PEW Research Center’s; 1969 a 1972 – Gallup; 1973 a 2008 General Social Surveys.

Opinião pública sobre a legalização da maconha entre os anos de 1969 e 2019

Pergunta da pesquisa: Você acha que o uso de maconha deve ser legal ou não?

Além é claro daquele velho posicionamento pré-concebido de classificar tudo que vem da Cannabis como droga ilícita e droga como produto do narcotráfico e do crime organizado. O que faz parecer que as correntes que julgam dessa forma mais protegem e incentivam esse estado atual de caos social; da guerra às drogas, da criminalização, racismo e o controle oculto de um mercado que poderia gerar uma enorme receita financeira ao estado. Porém no atual cenário continua dando lucros apenas à ilegalidade e a minoria que controla este setor altamente lucrativo e sua cadeia de lavagem de dinheiro decorrente desta atividade. O que nos faz refletir o que pode levar alguns representantes políticos a manter este posicionamento radical. Contrariando inclusive a tendência mundial que se direciona para a regulamentação e uso científico, medicinal e recreativo, com estudos e resultados comprovados a cada dia pelas estatísticas positivas em relação à regulamentação ocorridas nos países pioneiros.

Nós da ACALME BRASIL nos posicionamos a favor dos pacientes. Por isso apoiamos o cultivo e fornecimento pelas associações exclusivamente para seus associados reconhecido em Lei. Sendo assim, por se tratar de fitoterápico, a inclusão da manipulação de remédios por organizações de sociedade civil (associações), pelo auto cultivo e pela democratização do acesso pelo SUS tanto aos medicamentos quanto a consulta médica e prescrição.

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