Suspensão nas Olimpíadas reacende o debate sobre a cannabis medicinal

A recente desqualificação da atleta olímpica norte-americana Sha’Carri Richardson põe em xeque a proibição da Agência Mundial Anti-Doping.

Quando a velocista americana Sha’Carri Richardson de 21 anos foi desqualificada dos Jogos Olímpicos de Tokyo após testar positivo para cannabis, o mundo se perguntou: A cannabis deveria ser proibida entre atletas?

A atleta confirmou o uso da substância para ajuda-la a lidar com a perda de um familiar, contrariando algumas suposições de que ela teria feito uso para beneficiar sua performance. Sua desqualificação se tornou motivo para um caloroso debate. Ao tomar esta decisão, a Agência Americana Anti-Doping (USADA, em inglês), afirma que apenas seguiu as regras impostas pela Agência Mundial Anti-Doping (WADA) que classifica a cannabis e outros canabinóides, incluindo versões sintéticas destes compostos, como substâncias proibidas para a competição. A WADA proíbe substâncias que atendem dois dos três critérios: 1. promovem risco à saúde dos atletas; 2. melhoram a performance do atleta; e 3. Violam o espírito esportivo.

Cientistas e pesquisadores indicam que existem evidências claras de que a planta reduz habilidades atléticas. Além disso, enquanto alguns especialistas concordam que a substância pode causar algum dano à saúde, outros contestam que pesquisas atuais sugerem que a cannabis não é mais prejudicial do que o álcool, substância liberada pela WADA.

Segundo a professora de psicologia e neurociência da Universidade de Colorado Boulder, Angela Bryan, a WADA deveria reavaliar sua posição a partir de um olhar mais cuidadoso para as evidências atuais. “A atleta fez uso de uma substância legal no Estado em que estava e por razões perfeitamente compreensíveis – negar a sua chance de competir em alto nível me parece absolutamente ridículos”, diz a professora.

Margaret Haney, professora de neurobiologia que pesquisa os efeitos da cannabis na Columbia University Irving Medical Center, afirma que os dados das pesquisas mais atuais indicam uma contradição na decisão. Suas últimas avaliações reportam que a resistência de ciclistas apresenta uma pequena queda após o consumo de cannabis.

O fato reacende o debate em um momento único da história recente. Nos últimos anos, a abordagem sobre o assunto se transformou drasticamente e foi ilustrada pela legalização do uso recreativo em diversos estados dos Estados Unidos e em todo o Canadá, além de muitos outros países que permitem o uso da cannabis para fins medicinais.

Após o evento da desqualificação da atleta norte-americana, a WADA se pronunciou dizendo que “as regras relacionadas ao uso da cannabis devem mudar”. E a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, sugeriu que as regras devem ser reavaliadas.

Eventos deste tipo demonstram a inevitável jornada que tem como finalidade a descriminalização e a superação do preconceito em torno da planta. Enquanto isso não acontece de forma absoluta, plante amor & ACALME-se.

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